quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Escuro - Parte 1

       Porque será que nossos sonhos fogem tanto de nossas mãos? Você já parou para pensar nisso? Quanto mais apertamos nossos punhos junto ao peito, prendendo nossos sonhos em forma de uma oração a estrela mais brilhante do céu. Parece que mais ele se esvaí pelas frestas de nossos dedos. Fugindo de nossa alma, que se tortura imensamente por não poder mais realizar aquele sonho fugitivo. Certa vez um sonho fugiu de mim.
      Lembro-me como se fosse ontem. Era uma noite fria de algum dia em algum ano. Não me lembro a data com exatidão. Mas me recorde de estar a beira de uma loucura ao observar o cair da noite. A luz do mundo sumia como se uma mãe a tivesse chamado para entrar em sua casa depois de uma longa tarde de brincadeiras. Pensei ao ver o laranja escurecer no  horizonte onde o sol se deitava. O mundo começava a cair em outra dimensão, uma escura e sombria, coberta por ventos e seres misteriosos que as trevas escondiam. Seres com garras gosmentas e olhos vermelhos que estava a espreita de qualquer inocente para devorar ou torturar. 
      Foi então que percebi que os monstros podiam estar saindo de suas tocas e que eu estava sozinha em casa. Minha família não havia voltado ainda. O meu coração começou a bater mais forte, senti um tremor nos joelhos e uma forte sensação de estar sendo vigiada por alguém. Sem pensar duas vezes me fechei dentro de casa. Verifiquei todas as janelas, portas e frestas. Acendi todas as luzes da casa, fechei todas as cortinas. E corri para debaixo das cobertas da minha cama, munida de uma faca bem afiada que encontrei na cozinha. 
    _ Nenhum mostro vai te pegar, Melissa! - Disse para mim mesma engolindo as poucas gotículas que sobraram em minha garganta fechada pelo medo. E assim fiquei por vários minutos que me pareceram séculos. Meia hora depois, percebi que estava fazendo papel de tola. Nada iria acontecer. Logo todos estariam em casa brincando ou brigando, porque é isso que famílias fazem. E esqueceria essa tolice de monstros na noite.
     Sem medo, sai do meu quarto. Guardei a faca e fui até a sala de estar, liguei a TV e olhei pela janela. A noite já estava quase completa e lá fora, no meio das árvores no quintal algo se mexeu de forma veloz. Senti que meu coração parou de bater por um milissegundo. Sem acreditar no que estava vendo levei a mão ao coração e tentei dizer em voz alta.
     _ Meu Deus! É... é um... um... lobisomem.



Continua...

Amanda Andrade

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